Encontro de escolas na Praça da Bandeira durante desfile cívico

Falando em Praça da Bandeira...

Como já frisamos no artigo anterior, este pedacinho de Santa Cruz era, nas décadas de 60 e 70, o centro da cidade, para onde acorriam pessoas de todas as idades. Era onde tudo acontecia. Voltando um pouco no tempo, para “antes-de-ontem”, registramos, por exemplo, o largo como ponto de encontro das escolas que desfilavam no dia da Pátria, como podemos ver numa das fotos que ilustram esta matéria.

Além do cine Bandeirante, do qual já falamos, havia a Alvorada Lanches e a Musa Discos em dois prédios localizados nos canteiros. A Alvorada era ponto de encontro de todos que queriam encontrar gente bonita (ou nem tão bonita assim), bater um papo, tomar umas cervejas... Embaixo, funcionava uma sorveteria, na parte superior havia as mesas, com visão panorâmica de toda a rua do Pátio.

A Musa Discos foi um prédio inovador, de formato hexagonal, construído no meio de um canteiro (inclusive, soube que reclamaram bastante de sua construção), e que vivia sempre cheio de gente também, comprando discos (LPs) e ouvindo música. Foi uma concorrência forte ao velho Borjão, mas que não o abalou – tanto que a Discoteca do Borjão continua até hoje, desafiando o tempo e as inovações, enquanto a Musa, em pouco tempo desapareceu.

Era nos bancos de cimento que circundavam a Musa que se reunia o pessoal que estudava em Caruaru, no final da década de 70, para esperar as veraneios de Daco, de Zé da Onça e de Paulo de Alcino (estes dois já falecidos – Zé da Onça era cunhado de Paulo, casado com Marluce Aragão, pai de Breno; Paulo era irmão de Marluce e do vereador Fernando Aragão, era contador, foi professor do Cenecista e era motorista).

Viajei com os três, todos eles de um bom humor invejável – suportei muita mala de veraneio e de kombi, no percurso Santa Cruz-Caruaru. Lembro de alguns estudantes-passageiros desse tempo: minha mãe (Maria José Tavares), Dulce Assis, Auxiliadora Félix, Sinina Barbosa (recentemente falecida), Ignez Santos, Auristela Félix, Gildo Feitosa, Marcos Antonio, Adalice Dunda, Marluce Aragão, Cícero Ferreira, entre outros.

Antes da Musa, o ponto de espera era no Caldo de Cana de Nezinho, famoso na cidade inteira. Inigualável o conjunto “caldo-de-cana-com-bolinho-de-saia”, especialidade da casa.
Um pouco mais antigamente, havia uma banca de revistas (a primeira da cidade, onde comprei meus primeiros gibis Disney), ficava na confluência entre as ruas Graciliano Arruda e a Trav Neci de Melo, do lado de lá do canal.

No prédio em frente ao Banco do Brasil (que era uma serraria, antes da construção do banco, como já falei), funcionou depois um comitê político, dos "Cabeças Inchadas", que era como se chamava, na época, a facção que depois se denominou "Cabeção", depois "Cabecinha", e agora "Taboquinha".

Para completar a Praça da Bandeira, havia o antigo mercado de farinha, na esquina com a Rua Cabo Otávio, cujo prédio pertencia à família Monteiro. Lembro-me do tempo que ainda era mercado (anos 60); depois virou salão de baile, onde rolavam altas festas, principalmente no São João. Quase sempre rolava também muita briga, e era um sufoco para se correr, pois era tudo muito apertado.

Era também na praça o primeiro ponto de taxi de Santa Cruz, com apenas um automóvel, de Pedro Bernardino. Esta praça de taxi permanece até hoje.

Atualmente, a Praça da Bandeira é apenas ponto comercial – e nem dos mais cobiçados, principalmente depois que a feira foi transferida. Algumas bancas de revistas (aquela primeira não existe mais), um supermercado, lojas de tecidos, um hotel, são hoje o cenário desse recanto de Santa Cruz.

Mas os do meu tempo, ao passar por ela, têm sempre uma recordação boa, “dos velhos tempos que não voltam mais”...

Por Edson Tavares

Por Emanoel Glicério |

5 comentários:

  1. Paulo. disse...:

    Muinto boa essa parada que criaram no Diario da Sulanca,legal mesmo!e o cara escreve bem demais, com um raalismo, parabens é dez...

  1. gordofoca disse...:

    mim descupa edsom mais foto que você diz que a contrução da sede do banco do brasil não e a contrução da igreja são cristovo!!!

  1. Rodrigues. disse...:

    Num tempo ainda mais pra traz, havia na Praça da Bandeira, a Barraca de Roga, quem não se lembra do pai de Domingos? Era na Barraca de Roga onde se comia a melhor galinha com arroz da cidade, e o mais importante, na Barraca não havia portas, era feito a GLOBO, 24 horas no AR. Depois ele se mudou para a esquina da Praça da Bandeira com a Rua 13 de Maio, onde hoje se encontra uma Loja de Tecidos, quase vizinho ao Caldo de Cana de João de Nezinho.

    Havia também, a Barbearia de Seu Zé Pedro juntamente com Seu Zé de Maço, este, pai de Surubim e de Angelito e mais ainda o Seu Lázaro Barbeiro.
    Havia também na Praça da Bandeira, a Barraca de Mané Duvirgem.
    Teve um tempo, não lembro se antes ou depois dessa fase que citei aí em cima,
    O Sr. Joca Pereira, pai do nosso folclórico motorista de ónibus, (Nelson,) construiu um galpão, tipo palhoção, só que a construção era em alvenaria, onde era realizados festas dançantes.
    Este tempo, nunca sairá de minhas lembranças. Este era um tempo bom, sem violência, sem medos.

    Sim, ali onde foi construído o Bar Alvorada, tínhamos um campo de futebol. Uma barra ficava em frente a casa de Mãe (Madrinha) Nega, e a outra barra bem em frente a casa de Seu António de Roga.
    Isso na Rua do Pátio (na época Rua Dr. José Mariano) e foi no n. 175 desta Rua, que eu nasci.

    "TEMPO BOM, NÃO VOLTA MAIS, SAUDADE DESSE TEMPO BOM."

    Um abraço.

  1. Anônimo disse...:

    boa lembrança pena que apraça esta abadonada cheia de entulho

  1. Melk Leão disse...:

    Parabéns pela iniciativa de relatar nossa querida Santa Cruz do passado, onde percebemos que as pessoas eram mais felizes e não viviam nesta loucura que é hoje onde não se tem tempo pra nada e todos só pensam em trabalho e não se tem espaços para o lazer.. antigamente com Santa Cruz do tamanho e um "ovo", se tinha cinema de primeira qualidade, bares que até hoje são referências, discotecas, clubes, carnavais e tantas coisas pra o povo se divertir, e hoje só se falam de saudades que não voltam mais, é triste isso, mas me deixa feliz saber que vivi um pouco desta Santa Cruz onde não se tinha medo de dormir de portas abertas nem ficar varando a noite na calçada conversando e tomando um bom café com "bulacha canela". Realmente.. este tempo não volta mais, mas tambem, jamais deveremos esquecer.

    Parabéns Edson Tavares por tudo que vc relata e tem a nos ensinar!